Histórico: MERCOSUL e União Europeia assinam Acordo de Parceria

As autoridades europeias e latino-americanas concordaram no que diz respeito aos benefícios do acordo para os países e seus cidadãos, a oportunidade de sua finalização no contexto atual e os valores compartilhados entre os dois blocos.

Atuando como presidente pro tempore do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL), o presidente do Paraguai, Santiago Peña, declarou que, nessa função, “o Paraguai considera este resultado uma conquista da diplomacia regional e uma afirmação da nossa vocação integradora”.

“No MERCOSUL, queremos que este acordo beneficie seus principais destinatários: os milhões de cidadãos europeus e latino-americanos que verão melhorias substanciais em suas vidas assim que ele for implementado”, acrescentou.

A presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou a magnitude da conquista que esta assinatura representa: “Estamos criando a maior área de livre comércio do mundo, com 700 milhões de pessoas e um PIB (Produto Interno Bruto) de 20% do PIB global”. Também afirmou que “quando duas regiões como as nossas falam a uma só voz no cenário mundial, o mundo escutará”.

O presidente argentino, Javier Milei, disse que o acordo representa “a maior conquista alcançada pelo bloco desde a sua criação” e solicitou que “o espírito do que foi negociado seja preservado durante a fase de implementação”. “Os 25 anos investidos nos obrigam a estar à altura da ocasião nesta etapa”, acrescentou.

O Presidente do Conselho Europeu, António Costa, enfatizou que “este acordo pode chegar tarde, mas chega no momento certo. Não aspiramos a criar zonas de influência, mas sim esferas de prosperidade partilhada, baseadas na confiança, na cooperação, no respeito e na soberania das nossas democracias”. “Não pretendemos dominar nem impor, mas sim promover e fortalecer os laços entre os nossos cidadãos e as nossas empresas”, afirmou.

O Presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, disse que a assinatura do acordo é “apostar pelas regras em tempos de volatilidade e mudança constante” e que “não podemos ignorar que este acordo também desafia o MERCOSUL, convidando-nos a modernizar a nossa agenda externa e a consolidar a nossa integração regional como plataforma para nos projetarmos ainda mais no mundo”.

“Nós e o MERCOSUL somos parte de um continente que cruza todo o globo terráqueo, do Polo Norte à Patagônia. Isso é poder, e esse poder deveríamos exercê-lo para o desenvolvimento de nossas nações”, declarou o presidente boliviano Rodrigo Paz. Também lamentou que seu país (que está em processo de adequação à normativa regional para se tornar membro pleno) não tenha aderido ao bloco desde 1991 e afirmou: “Faremos todo o possível para nos tornarmos membros plenos”.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, afirmou que “estamos lançando as bases para uma relação estável entre nossos respectivos hemisférios, orientada para o desenvolvimento sustentável e o bem-estar”, e previu que “o acordo fomentará ganhos tangíveis: mais empregos, mais investimentos, maior integração produtiva, acesso ampliado a bens e serviços de qualidade, inovação tecnológica e crescimento econômico com inclusão social”.

O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, concluiu lembrando o respaldo legal da adesão do Panamá como Estado associado ao Mercosul, graças à aprovação unânime da Assembleia Nacional de seu país em 2025: “Temos orgulho de sermos associados ao Mercosul”, enfatizou. “Continuaremos a apoiar e trabalhar por acordos que ampliem a liberdade e reduzam regulamentações excessivas”, acrescentou.

Após 35 anos de processo de integração regional latino-americana, a parceria estratégica entre o MERCOSUL e a União Europeia implica a integração de um mercado de 700 milhões de habitantes, com um PIB combinado equivalente a um quarto do PIB mundial e um comércio total estimado em cerca de US$ 100 bilhões.

Fonte: Mercosul

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